terça-feira, 26 de julho de 2011

Da falta de crises

Se eu estivesse internada estaria estável. Preciso urgentemente fugir dessa minha rotina desesperada de séries americanas, aquelas que mostram vidas acontecendo e indo embora. Preciso acontecer.
Além disso, sinto falta de criar laços. Perdi a vontade de ter mais pessoas para contar, perdi a sede de querer ser sempre o sorriso mais sincero. Perdi.
Nessa lista de 'precisos', falta o mais importante, cuidar dos meus. Esse meu espírito relaxado esqueceu de atentar para os pedaços jogados das minhas pessoas. Percebo tudo o que está passando, mas já não processo tanto coisa.
Isso tudo pode ser falta de crises, há tempos não crio monstros. Há tempos não sento aqui e despejo lamúrias inflamadas, incompreendidas e necessárias.
Ando triste por não poder estar triste. Aquela máxima de que 'vocês sofrem mais que eu'... ela voltou.
Preciso dessas histórias intensas de séries americanas para lembrar pelo que chorar na minha vida. Para lembrar que eu ainda vou ter muito o que chorar...

Me entenda, Lauryn.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Torto

Deixo a porta aberta se quiser voltar
mas saiba que eu também consigo viver só
A solidão quem me ensinou a ser mais forte
E a qualquer lugar eu vou sem medo (...)

Acordei estranha e quase ninguém percebeu.
Vou começar dizendo que é muito triste quando você descobre que está sozinha. Sem par.
Venho percebendo isso há dias, de maneiras diferentes e hoje não pude deixar de notar como ser sozinha é tão bom e ruim ao mesmo tempo. Detesto sentimentos ambíguos, como amor e ódio, ciúme e desejo, dor e alívio.
Em vez de matar esse nó lendo textos alheios e tentando encaixá-los nessa minha pequena história torta, resolvi que eu, melhor do que ninguém, seria a escritora fiel desse roteiro. Porque eu posso entender quase nada sobre cinema, mas posso contar uma história sem esquecer dos pontos finais...
São quase quatro anos de incertezas e passos em falso e, apesar dessa minha segurança montada, eu estou perdida. Com apenas 20 anos já me sinto calejada pelas tantas outras lágrimas que derramei quando não sabia o que dizer, mesmo que isso não importe tanto. Eu sei do sofrer pelo que já passei e me assusto em pensar que isso pode ser apenas um grão de areia comparado ao que um dia eu vou perder. São quase quatro anos segurando gritos, separando sentimentos e levando a vida da forma simples que eu sempre quis. Quase quatro anos, fingindo ser feliz sozinha, escondendo a falta de amor, me refugiando na saudade e dormindo encolhida no frio dessa cidade. Quatro anos, quase.
Eu já contei a algumas pessoas que meu maior medo é morrer sozinha. Por que? Tenho pouco contato com minha família, além dos meus pais e irmãos, vejo o restante apenas uma vez por ano. E é nessa única vez que vejo minha tia mais querida. Nunca me contarem ao certo, mas ela tem lá seus quase 70 anos, não teve filhos e não se casou. Quando acordo e percebo que nesses meus 20 anos não tive nenhum alguém, pareço mais próxima da história da minha tia. Ela é feliz, mas é sozinha. Eu sou feliz, mas sou sozinha...
Minha mãe sempre disse para eu parar de comparar meus passos com de sua irmã. Não consigo. Comparo e me assusto. É inevitável.
Eu ia escrever esse texto para uma determinada pessoa, mas prometi a mim mesma que isso não passaria de mais um lance errado no qual me meti. Acho que uma das coisas que mais sei fazer é errar, não apenas errar, mas errar feio. Se o amor é cego, mudo e surdo, o meu, além de tudo isso, é burro, manco e tem memória fraca. Ele nunca chega a tempo e sempre confunde o duvidoso com o errado. Sem intenções de escrever algo bonito e reflexivo, esse é um daqueles textos que expulso meus fantasmas e os vejo fora de mim...quem sabe assim não os entendo.
Se é que alguém lê o que escrevo aqui, queria dizer que está difícil dosar o desespero e a razão. Muito difícil. Eu sei que tem gente que pode dar um passo atrás depois dessas palavras, mas uma coisa é certa, eu não criei meus monstros sozinha. Só os alimentei sem medo de vê-los crescer.

Acabei não dizendo qual o lado bom de estar sozinha. Ser sozinha é não confiar em ninguém além de você e isso, meus queridos, só você pode mudar, ninguém pode quebrar e nem pedir de volta.
Boa noite.



E sim, eu gosto muito de Detonautas.

sábado, 2 de abril de 2011

Nota mental

Preciso dizer que eu não quero a minha vida de cabeça para baixo mais uma vez. Olha, eu já sofri muito há algum tempo e confesso que são poucas as recordações que quero levar comigo de toda aquela história. Infelizmente ela vem passando diante dos meus olhos diversas vezes e, sinceramente, saudade é a última coisa que eu sinto.
E, já que falei da saudade, precisava dizer que sinto falta de saber que posso contar com vocês. Nunca fiz o tipo de querer impor um fato que não é evidente, por exemplo, não posso ser aquilo que você não quer que eu seja em sua vida. Nesse caso, em suas vidas.
Eu acho que preciso voltar para casa e organizar as ideias, porque eu decidi hoje que não quero mais deixar pra lá. O dia foi longo e minhas tentativas de não pensar em vocês foi falha ao ponto de eu estar aqui, escrevendo mais uma vez.
Publico esse texto torto agora, mas provavelmente vou apagá-lo assim que me der conta que eu não posso fazer o melhor sozinha. Eu nunca pude.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Longe

"Só me lembro bem do preço do seu olhar.
E hoje me desfaço desse traço, sem pensar..."
(Tico Santa Cruz e Rodrigo Netto)

É mais uma madrugada. Mais uma entre tantas outras pensando o que pode ser do amanhã, e seria tão reconfortante saber que calmaria e pureza fariam parte daquelas 24 horas.
O que eu precisava há alguns dias era apenas escrever, mas o medo de despejar em poucas palavras o que saía torto pela boca foi maior. Precisamos digerir o que passa e passou.
Posso dizer agora que não é saudade o que sinto, entretanto existe algo que me recordo, algo que não é familiar.
Posso dizer também que vocês são poucos, mas não entenderam que são muito para mim... e é tão difícil dizer isso, mas eu não os conheço tão bem. Entre tantas histórias contadas entre garrafas de cervejas e risadas, me vejo vagando entre desconhecidos e fazendo parte da vida deles, sem necessitar de reciprocidade.
O que é isso? Não sei. É cômodo? É. Faz falta? Agora não.

Eu insisto na tentativa falha de repartir entre pessoas a ânsia de existir por elas, mas é evidente que vivo mais por uns do que por outros. Olha, eu já vivi muito por você. Já quis bater meu coração por você, respirar e ser o que você precisava, mas eu preciso de calor. Eu preciso de decisões erradas e reticências, preciso saber que você sai da linha para eu sair também. Preciso do calor. Acho que preciso também saber, agora de verdade, o que foi e o que é. Preciso do calor daquilo que você esqueceu guardado, ou queimou em pensamento. Preciso.

Estou te esquecendo sem saber se realmente te conheci. Por aqui, a lição de não precisar de você por perto está quase completa... mais algumas linhas e apenas uma lembrança virá acompanhada do seu nome: o seu silêncio.

Eu sei que provavelmente você não lerá esse texto. Talvez seja porque estamos mais longe do que pensamos um dia.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pelo que não é mais

Eu respiro bem fundo e vejo se meus pés estão firmes ao chão. É preciso ter sempre certeza e relembrar tudo o que foi dito, o que foi visto e o que não foi feito. Tentamos, isso não foi mistério para ninguém.
Entre tantas chances, buscas e reviravoltas, prometi que a última vez chegaria. Ela já passou.
Conversa repetitiva não me prende. Sempre gostei de ação e, por mais que eu já tenho dito, foi SÓ isso que eu esperei de você. Aquela ligação que você esperou eu também aguardei, a visita, o passeio, a confidência: esperei por todas elas em vão. Tudo tem de ser recíproco, e me surpreendo em pensar que os mínimos esforços sempre tornavam-se grandes acontecimentos.
Hoje, assumo que errei com você e com todos, mas não estou aqui por acaso. Não estamos aqui hoje, conversando de forma torta, nos tratando como se nossa história estivesse guardada em uma caixinha empoeirada, somente pelos meus erros.
Chegamos aqui hoje porque eu sou a Gabriela, que aprendeu aos pontapés o que é dividir e que achou que isso nunca seria preciso com você. Que aceitou sua felicidade, seu amor e decisões, como carta fora do baralho. Sou a garota que se afasta e se isola quando o papo não lhe diz respeito, que não gosta de fazer compras, que vai ao shopping para não ficar sozinha... mesmo odiando o clima e a caminhada desnecessária. Sou também a Gaby que mergulhou em mundo fashion que pouco conhecia, que já torceu pelo seu time e fez de tudo para estar perto de você, mesmo quando você não me queria por perto.
NUNCA achei necessário listar em tópicos e te apresentar de que maneira você também se distanciou e nem ao menos percebeu. Porque, eu não posso ser tão ruim ao ponto de destruir com o que eu mais amava.
Se você nunca foi forte, me contasse...dissesse ao pé do ouvido, juro, esse segredo seria apenas meu. Eu estaria aqui com o que fosse necessário para te fazer sorrir outra vez.
Me desculpe, mas não posso partilhar amor, tão pouco ser o seu papo de fofoca durante um encontro casual pela rua.
Queria apenas ser aquilo que nós fomos, aquilo pelo que eu me doei durante muito tempo.
Meu amor por você não é frágil, só está desacostumado a ser exposto. Eu ainda te amo, mas já não sei o quanto mais quero sofrer para sustentar tudo isso...não sei mais se vale a pena te fazer sofrer.
Eu ainda te conheço, mas é preciso você para me lembrar o que você quer que eu seja.

(desculpe pelas vírgulas mal colocadas e as frases sem sentido, precisa escrever antes que perdesse a coragem. antes que perdesse você mais uma vez.)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Platônico

"Eles não conseguem perceber como é real
que a gente se encante com alguém assim.
(...) e nada do que digam vai mudar o que pensamos.
Deixa estar, que agora vamos, já chegou."

Minha alegria de te ver todo dia mata menos de um décimo da vontade que eu tenho de ter aqui, ou de somente te conhecer. Muito prazer, meu nome é Gabriela. Sou eu que procura entre rostos o teu, que busca um dia ouvir tua voz e que já sonhou com você algumas noites.
Platônico, bonito, ingênuo, mas sincero. Queria te dizer, Desconhecido, que, mesmo sem você perceber, é por você que eu apareço. Ultimamente a companhia pouco importa, mas tenho sorte dela ser sempre boa, o que vale a pena é te ver naquela rua. Naquele bar. Te sentir passando ao meu lado. Ter a sorte de olhar no seu rosto e pensar baixinho 'que bonito'. Bonito.
Com a sorte que me acompanha acredito que um dia nos esbarraremos. Vou te pedir desculpas, fechar os olhos e seguir em frente. Coisa boba, mas minha.
Amanhã quero te ver novamente e me sentir aliviada por você ainda não ter partido. Ou voltarei sem esse seu encanto para casa.
Preciso esclarecer que isso não é amor, tão pouco paixão... posso dizer que algo muito bonito. Pode passar como a música que acabei de ouvir. Vai passar.
Boa noite, menino.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Para você, depois dos seis



A sinceridade dessa letra não é para mim, nem para você. Porém...

Eu não sei o motivo, mas hoje pensei em você o dia todo. Olhei para o calendário e vi que dia 27 de outubro não me lembrava nada em especial. Talvez seja culpa daquela música, ou daquela outra.
Fiquei quebrando a cabeça e contando meses, já são seis. Apesar de te ver todo dia, há meses não trocamos uma palavra. Silêncio e cabeça baixa, é assim que posso resumir nosso contato.
Vou te confessar que nessa contagem de dias, percebi que já não sinto tanto a sua falta. Por vezes até parece que você está apenas longe, e é muito estranho dizer isso. Falo de você sem nenhum aperto no peito, cito seu nome em algumas conversas e até dou risada quando lembro de algumas fotos e acontecimentos.
E tudo isso é bem diferente do começo dessa história, acho que te escrevi 7 cartas. Tive coragem de entregar apenas uma, mas recuei, como em todas as outras vezes quando enchi o peito para resolver tudo. Recuei porque é você. Recuei porque eu não te conheço há dois dias, ou dois meses: te conheço há dois anos. Independente do tempo, que ultimamente não tem significado muito coisa por aqui, usei de diversas formas para te descobrir. E o fiz. Se um dia talvez você ler esse texto, vasculhe nessa cabeça que teima em não esquecer nada, que essa não é a primeiva vez que digo isso de você.
Acho que nunca pensei em escrever sobre tudo o que aconteceu aqui, mas hoje é mais um dia qualquer, e duvido muito que as palavras que estão bem dispostas nessa página façam alguma diferença no que já passou.
Com o fechar daquela porta, eu engoli a única palavra que eu precisava te dizer. Foi como um reflexo, bem rápido. Mas foi.
Daquele dia em diante, não me preocupei em estar certa ou errada, me ocupei apenas em consertar as outras rachaduras que provoquei pelo caminho.
Eu me conheço melhor do que ninguém e sei que meu orgulho é pura invenção, mesmo quando provocado, até sendo pisado. É só charme, tenho uma força maior aqui dentro que me faz cócegas nas veias enquanto as coisas não são resolvidas.
Essa tal força me incomodou por alguns dias, mais algumas horas e já não consegue me vencer pelo cansaço tão fácil.
As perguntas 'sobre' já passaram há tempos e as 'por que isso não deu certo' tinham cessado até hoje. Que coincidência. O mundo sabe bem aprontar dessas com a gente.
Não pretendia te escrever nada bonito, só queria dizer que estou bem. Queria esclarecer que amizade é uma via de mão dupla e que seus amigos vão ser sempre seus, mesmo que também sejam meus.
E além disso, aquela carta vai ficar guardada, quem sabe daqui alguns anos ainda lembre seu endereço.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A little while

Sabe qual é o problema? É essa minha cabeça cheia demais e esse meu copo vazio.
É essa vontade de ter a certeza, de ter o conhecimento de tudo o que foi e tudo o que pode ser um dia. É querer saber demais, mesmo não querendo.
É isso que me prende ao chão, é isso que não me deixa pensar além do que eu preciso. Além do que eu preciso para respirar outra vez.
E eu melhor do que ninguém sei o que é bom para mim, sei que desabafar em palavras bem combinadas em uma oração é uma boa escapatório para quem não sabe por onde seguir.
Eu fujo de tudo, mas sempre me questiono sobre o que deixei para trás.
Já quis um amor para vida toda, já quis ser fria e nunca mais amar. Eu quis demais e hoje ainda sou o ser humano que não sabe nada do amanhã e tão pouco da semana que está por vir.
Eu vou me deitar agora, sem ao menos saber se é você que eu sempre quis. Sem saber de mais nada. Nada,...


...meu amigo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Preste atenção, querida

É que bateu aquele vazio, aquele nó comprido que não se desenlaça. Aquela vontade de não sei o que misturada com para onde eu vou. É que eu quero demais, espero demais, tudo demais. Quando é que a vida achou que eu merecia tudo de menos?
Roteiros repetidos com falas já gastas. Histórias sem clímax, finais sem aplausos e mais um repeat ligado.
É que eu espero demais do amanhã e ele só traz o que acha que deve trazer.
Mais uma vez.


E hoje Cartola soprou em meu ouvido: 'Preste atenção, querida, embora eu saiba que estás resolvida em cada esquina cai um pouco a tua vida, em pouco tempo não serás mais o que és.'


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Decidi

Acho que eu te amo. Descobri entre tantos outros pensamentos que não enxergo meus caminhos sem você desenhando parte deles, mas ainda sim busco em lembranças empoeiradas o momento que te vi crescendo em minha vida.
E aí, na mesma noite em que decidi que te amava, perguntei sussurrando 'será que você me ama?'. Eu sei que sim, mas sempre delicio o gosto da dúvida. Se isso importasse eu não teria medo de dizer mais uma vez: eu te amo, mesmo sem querer, mesmo confusa, mesmo inquieta. Eu te amo porque escolhi te amar, escolhi você.
Eu também te odeio, na mesma proporção, pelo simples fato de não te ter aqui.